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A inserção da mulher negra na advocacia e suas conquistas

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Ana Carolina Lima, diretora do Eixo Cultural da Caarj

Em nosso País, a questão “mulher”, de um modo geral, tem sido escrita de forma extremamente lenta. No que tange às mulheres negras vindas sequestradas da África nos porões dos navios portugueses no século XVI até o ano de 1850, quando o tráfico foi proibido, estas exerceram papéis fundamentais para o desenvolvimento da nação.

No entanto, em 1932, quando as mulheres buscaram os seus principais direitos, como o voto e melhores condições de trabalho, as mulheres negras ainda não eram reconhecidas como capazes para contribuir com estes processos de libertação feminina, sendo aceitas socialmente, meramente, como serviçais, negando assim todo o processo histórico de luta e resistência que a mulher negra sempre teve no Brasil desde o período escravocrata.

A busca profissional da mulher em qualquer esfera não tinha relevada importância. No que tange ao Direito, desde o tempo remoto até a presente data pode-se afirmar que a formação intelectual jurídica no Brasil sempre esteve majoritariamente sob a formulação dos homens, incidindo na sociedade brasileira apenas a ótica masculina e eurocêntrica.

Nota-se que nos últimos 10 anos, a partir das políticas de ações afirmativas, foi que proliferou a quantidade de mulheres negras advogadas. Não é tarefa fácil transformar o olhar social para com a mulher negra antes vista como serviçal, estar no patamar na busca por direitos e justiças, a título social de Doutora. Há ainda muitos olhares de estranhamento no meio jurídico, ora por ser mulher e, ainda mulher negra.

Consideramos fundamental, deve fazer parte da política dos órgãos governamentais, considerar a integração das mulheres negras na vida jurídica. Urge que se crie condições para as mudanças das mentalidades para o reconhecimento (e superação) no plano da aplicação como lei dos atuais procedimentos viciosos que, na prática, fazem das mulheres prisioneiras dos preconceitos contra o seu sexo, raça e etnia, a fim de que estas participem efetivamente da profissão da advocacia, tão necessária para as garantias de direitos e justiça, cada vez mais necessária neste País.

Nossos passos vêm de longe, o que nos falta é oportunidade!



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