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Racismo, trabalho escravo e democracia são discutidos em Cineclube

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Uma discussão que retratou a democracia da diversidade e a falta dela na sociedade tomou conta do Cine Odeon nesta quinta-feira (30), no Cineclube Direito em Movimento, realizado pela Caarj. “É um projeto que tem muito mais a ver não só com a qualidade de vida, mas também com a reflexão sobre temas importantes pra sociedade”, afirmou o presidente da Caarj, Marcello Oliveira, durante a abertura do evento, realizado através da parceria entre a Caarj, através do Eixo Cultural; a Defensoria Pública, a Fundação Escola da Defensoria, a Associação Carioca dos Advogados Trabalhistas (Acat) e o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).

O longa exibido nesta edição do Cineclube foi “Menino 23”, que retrata a descoberta, por parte do historiador Sydney Aguilar, de uma fazenda, em São Paulo, onde meninos eram mantidos em regime escravo por empresários simpatizantes do pensamento eugenista (integralistas e nazistas). No filme, sobreviventes do local falam sobre a experiência e mostram como os conceitos de “supremacia branca” e as tentativas de “branqueamento da população” marcaram nossa sociedade, deixando sequelas até os dias de hoje.

A roteirista do filme, Bianca Lenti, contou no debate sobre a triste surpresa que todos os fatos apresentaram. “Essa história chegou em nossas mãos quando estávamos atrás de uma pauta para um canal da TV fechada, em 2011. Estavam encontrando uma proliferação de tijolos com a suástica (símbolo nazista), e na apuração ficamos muito chocados, pois quando começamos a buscar, percebemos que todo o contexto político e social por trás da história do Brasil permitia absurdos nos anos 30. Estávamos vivendo uma época que tinha o desejo do branqueamento da população. Achamos não só sobreviventes, como também documento e provas sobre essa relação, achamos provas do envolvimento dessa família com o movimento integralista, que era simpatizante do nazismo”, disse ela. Segundo a roteirista, o filme é importante por mostrar as raízes do racismo no Brasil. “Esses meninos pertenceram a duas gerações após a da abolição da escravidão. A gente acha que racismo sempre existiu, mas não. O racismo surgiu basicamente nos anos 30, quando ele estava muito forte. Quando essa segunda geração ainda sofria com a falta de políticas públicas e sociais voltada para a população negra”, explicou.

O advogado criminal e membro da Comissão Permanente de Direito Penal, Fernando Drummont, afirmou que a perseguição do Estado ainda encontra-se enraizada em nossa sociedade. “A Justiça retira a guarda de uma mãe, porque ela é pobre. A Justiça retira a guarda de uma mãe porque ela é uma quilombola. Isso ainda é feito pela nossa Justiça elitizada e branca. É impossível não comparar a fazenda onde os 50 meninos se encontravam, não só com os campos de concentração nazista, mas também com os nossos presídios, estes que têm uma cor especifica, a negra. A maior parte da nossa população carcerária é negra”, frisou o advogado, lembrando que em outros aspectos a opressão também existe. “O nosso samba foi criminalizado, o nosso funk ainda é criminalizado. A religião negra praticamente foi criminalizada e ainda é perseguida. Então, ainda temos a perseguição do Estado. O nome do filme retrata bem essa desqualificação que a gente se depara a todo momento. ‘Menino 23’, onde retrata que retiraram a identidade, retiraram o nome, retiraram a personalidade de uma pessoa. O filme passa o retrato da condição humana da época onde essas pessoas estavam no mundo apenas para servir e não para viver. É preciso repensar urgentemente toda essa forma que ainda estamos vivendo e infelizmente, com essas raízes ainda bem colocadas na nossa sociedade”, acrescentou o criminalista.

Participaram do evento, ainda, o procurador do Ministério do Trabalho Wilson Prudente, o conselheiro e representante da Comissão de Justiça do Trabalho da OAB/RJ, Vinícius Neves Bomfim e o defensor público Francisco Messias. A roda de conversas foi mediada pela jornalista Luciana Barreto.

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