Logo da CAARJ
Logo da OAB-RJ

CULTURAL | NOTÍCIAS

Perfil: Aluizio Napoleão

22/08/13 – O poeta, cantor e compositor Aluizio Napoleão revela suas preferências à mesa, os países e cidades que aprecia. O advogado dá ainda explicações sobre as obras literárias que lê atualmente.

Livro de cabeceira – Quase sempre algum de poesia ou de história. Atualmente estou lendo “Tu és Pedro”, sobre a história da Igreja Católica nesses 2000 anos, do francês chamado Georges Suffert, jornalista do conselho editorial do jornal Le Figaro. De poesia, as obras completas do Paulo Leminski, que o amigo André Cintra (baiano) me deu. O Leminski era um paranaense faixa preta de judô, jornalista, bom compositor e mestre do haikai no Brasil, poema japonês com 3 versos e 17 sílabas (métrica, 5-7-5), que prima pelo poder de síntese.

Filme inesquecível – Amadeus, pelo gênio musical e irreverente do Mozart e as intrigas da corte de Viena. O Poderoso Chefão I, II e III pela aula de cinema, do Coppola e o jogo de ciladas, negócios e escaramuças da máfia italiana nos EUA. E, ainda, Cidade de Deus, pelo roteiro, fotografia e pelo trabalho dos diretores de ensinar, em pouco tempo, ‘não-atores’ a atuar com uma fidelidade espantosa à realidade (vide making-off).

Música ou cantor ou banda preferida – Renato Russo, Legião Urbana. No rock brasileiro, ainda não apareceu alguém com letras tão bem trabalhadas e com a voz forte e afinada como ele. Até hoje se discute se o melhor álbum foi o Dois ou o IV Estações. São hinos tanto à música “Índios” do disco Dois, como a faixa Monte Castelo, do IV, em que o Renato e banda criaram uma música pop com viés “sacra” depois de fundir versos de Camões e da Carta de São Paulo aos Coríntios. Aliás, São Paulo escrevia de um jeito, com um ritmo e expressividade que o historiador britânico Geoffrey Blainey o definia como o primeiro Poeta do Nascente Cristianismo, há dois mil anos (as palavras podem não ser essas, mas a intenção era nesse sentido).

Cidade preferida – Onde eu estiver com família e com amigos será a cidade escolhida. Mas o Rio de Janeiro…. não tem verso à altura, tem que vir e viver.

Viagem – Parnaíba, litoral do Piauí, pra reviver a juventude. Fora do Brasil, para Itália ou Espanha, em qualquer vilarejo, cidade, em pequenos restaurantes ou em grandes praças. Ou em cima de uma bicicleta mesmo.

Frase que não sai da cabeça – A vida anda sempre no prelo, mas se lança sonha com a segunda edição (Sempre no Prelo).

Comida ou prato que gosta de saborear – São muitos: churrasco, bobó, feijoada, massa caseira, caranguejo, siri, cavaquinha e as lagostas do Nordeste. Mas nada se compara a um bom jabá com jerimum e aipim cozido com manteiga de garrafa. Para tira-gosto, lula à milanesa, linguiça e torresmo.