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Família: núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos

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Na fila de adoção, existem pouco mais de 33.600 adotantes, prontos para iniciar ou incluir mais uma pessoa em seu núcleo familiar. Para estes, existem cerca de 5.600 crianças aptas para serem adotadas, o que leva a um equivalente de uma criança para seis adotantes. Mesmo tendo tantas pessoas dispostas a acolher, porém, o número de meninos e meninas não para de crescer no Cadastro Nacional de Adoção. Qual o gargalo? A pouca adesão de adotantes à chamada adoção tardia, ou seja, de crianças a partir dos quatro anos. Na Semana Nacional da Adoção, a Caarj participa das manifestações em defesa das famílias e alerta para a questão.

Os índices do CNA apontam que é falsa a crença de que a questão racial é o maior obstáculo para a adoção. O grande impasse está na idade da criança, já que apenas um em cada quatro pretendentes aceita adotar crianças com quatro anos ou mais. A preferência por crianças menores se dá, de acordo com o Conselho, pelo desejo do adotante ter uma experiência considerada completa com a criança, acompanhando todas as fases de desenvolvimento.

O problema fica ainda maior nos casos de adoção de crianças com mais de 11 anos – o índice de interessados em adotar crianças nesta faixa etária não chega a 1%. Outra questão é relativa aos irmãos, pois apenas 17,51% dos adotantes estão dispostos a recebe-los – a Justiça dificilmente separa as crianças vindas de uma mesma família biológica. Negligência, abandono e violência física e sexual estão entre os principais motivos que levam as famílias a perderem a guarda de seus filhos naturais.

Para o analista de sistemas Carlos Renato da Silva Barbosa, pai de Christofer, abrigado desde os 9 anos, o sonho de ser pai sempre esteve presente. Há quatro anos, ele decidiu que era o momento certo. O único problema que via pela frente era o fato de ser solteiro. Ao ser instruído por uma advogada, soube que era possível entrar na fila de adoção mesmo em suas condições e foi quando começou a sua jornada em busca de um filho. “A partir daí, dei entrada no processo e como tenho convívio com adolescentes por conta do teatro, decidi pela adoção tardia. Após um ano de processo, entrei na busca ativa e na fase de apadrinhamento, e indicaram o Christofer, que estava com 11 anos. O apadrinhamento durou 4 meses. Em setembro saiu a minha habilitação para a adoção e, com isso, perguntei se tinha possibilidade de adota-lo, já que ele passava os finais de semana comigo e criamos laços assim”, explicou Carlos. Todo o processo de adoção durou cerca de dois anos, e hoje, após quatro de convivência, Carlos aponta que a única mudança em sua vida foi a rotina de criar um adolescente.

Na fila de adoção, também se encontram crianças deficientes, expostas a drogas como o crack e ao vírus HIV. Esses casos são geralmente identificados por hospitais que, ao perceber que a genitora não tem condições de exercer a maternidade, aciona um assistente social para procurar alguém da família para se responsabilizar pela mãe e pelo bebê. Muitas vezes, porém, nem sempre é possível estabelecer um responsável pela criança, pois se deparam com cenários em que os avós também não estão aptos para a rotina de cuidado e zelo. A advogada Cristina Borges se dispôs a adotar uma criança que nasceu em meio a este quadro. “O perfil era de 0 a 7 anos, sem distinção de sexo e raça. Depois resolvemos amplia-lo, para receber crianças expostas ao vírus HIV e, por ser advogada, o processo foi mais célere: o chamamento foi dia 29 de novembro e no dia 19 de dezembro acolhemos a criança na família.  O parto da minha filha foi cesariana e no ato do nascimento, já foi iniciado o tratamento com os medicamentos necessários, pois a genitora é portadora do vírus HIV, moradora de rua, usuária de drogas e bebidas. Ela é acompanhada pelo Instituto Nacional Fernandes Figueira (IFF), da Fundação Oswaldo Cruz, onde já fez três dos quatro exames necessários para a se ter certeza da negativação do vírus na criança que foi exposta e temos 99% de certeza que está negativado, já que ela não foi sequer amamentada”, frisou Cristina, que já é mãe de um rapaz adulto e decidiu realizar a maternidade novamente por conta de seu novo relacionamento, já que o atual marido sempre teve vontade de ser pai. A família, agora,quer levar a menina para conhecer os avós paternos, na Inglaterra, e se prepara para habilitar-se novamente, mas desta vez para uma adoção tardia.

No dia 22 de maio, próximo domingo, às 9h, o Posto 6 da Praia de Copacabana receberá a 7ª Caminhada da Adoção do Rio de Janeiro, que é composta por diversos grupos de apoio à adoção. A Caarj estará presente no evento através do seu Eixo Social.