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Dia Nacional da Pessoa com Deficiência: o preconceito ainda fecha as portas do trabalho

Preconceito que fecha portas e dificulta o acesso ao mercado de trabalho. Esta é a realidade vivida por pessoas com deficiência em todo o país. O Eixo Social da Caarj traz este tema à discussão, em comemoração ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado no dia 03 de dezembro, através da realidade do advogado Manoel Ribeiro, que é cego.

Formado em Direito no ano de 2015, Manoel conta que sua trajetória foi marcada por dificuldades – boa parte destas, gerada pelo preconceito. A começar durante as aulas. “Muitas vezes o professor escrevia na tela, mas não lia o que estava escrito, ou não descrevia a situação para nós a contento, o que nos prejudicava um pouco”, aponta. A principal dificuldade, porém, veio quando chegou a hora de procurar um estágio. “Tentei procurar estágios desde o quarto período, e os únicos para os quais fui selecionado foram os da Defensoria e do Ministério Público, cujo critério de seleção era prova”, acrescenta.

Manoel, que tirou a carteira da Ordem este ano, afirma que ainda não conseguiu se inserir no mercado de trabalho. “Vou a feiras de emprego, levo meu currículo, mas nunca fui sequer chamado para entrevistas”, lamenta ele, explicando que a maior parte das pessoas não sabe lidar com a pessoa com deficiência. “Muitas empresas acham que a adaptação à acessibilidade vai sair caro, não sabem como lidar com isso. Em uma multinacional, a pessoa que me recebeu achou que eu não saberia passar por uma roleta similar à usada no metrô, e não adiantou tentar explicar”, lembra.

Para Manoel, é preciso ainda discutir a lei que determina a reserva de 30% das vagas das empresas para pessoas com deficiência. “Muitas vezes um cego, como eu, vai disputar uma vaga com uma pessoa que tem uma deficiência menos abrangente, como a falta de um dedo, por exemplo. Esta concorrência é desleal, acaba sendo excludente porque iguala os desiguais”, critica. O advogado, que cansou de esperar por uma seleção, agora espera conseguir advogar por conta própria. “Não tentei ainda atuar como autônomo, mas acredito que neste caso o que vai pesar mais é a minha competência, e não a questão da cegueira. Espero que os clientes consigam identificar isso”, considera.