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Cineclube Direito em Movimento exibe a pré-estreia de Auto de Resistência

O Cineclube Direito em Movimento da última quinta-feira (21/06), apresentou a pré-estreia do documentário Auto de Resistência, no Cine Odeon Net Claro – Centro Cultural LSR. O filme aborda alguns dos homicídios praticados pela polícia contra civis no Rio de Janeiro, nos casos considerados “autos de resistência”.

Na tela, as trajetórias de personagens que lidam com essas mortes em seus cotidianos, mostrando o tratamento dado pelo Estado a esses casos, desde o momento em que um indivíduo é morto, passando pela investigação da polícia, até as fases de arquivamento ou julgamento por um Tribunal do Júri. “É de fundamental importância tratarmos esse tema da segurança pública, especialmente sobre essa polícia que mata as nossas crianças negras e pobres todos os dias. Precisamos desse debate para que venha a solução para estas mazelas”, disse Marcello Oliveira, presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro (CAARJ).

Para a diretora, Natasha Neri, finalizar o seu filme e exibi-lo no cinema ainda não é o suficiente. “Se a gente não pressionar e não for pra rua, o que mais pode acontecer? Infelizmente o nosso filme é um caso. Eu fico muito triste porque mais pessoas estão morrendo, chorando e essas mães, a cada morte, revivem as mortes dos seus filhos”, disse Natasha. “A gente fez esse filme pra aprofundar um pouco o debate, para problematizar essa narrativa oficial que sempre diz que foram mortos em confronto ou que foram mortos em legitima defesa, ‘foi em um patrulhamento de rotina quando revidamos em uma injusta agressão’”, reforça a diretora ao lembrar os casos, que em sua maioria, têm os próprios policiais como testemunhas.

O documentário apresenta os problemas vividos diariamente dentro das comunidades do Estado, porém, segundo uma das debatedoras, a presidente da Comissão de Direito Penal do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Victória Sulocki, enquanto a sociedade brasileira não entender que na raiz dos problemas está a escravidão negra, nada vai mudar. “O que assistimos hoje são corpos negros com os quais o Estado não tem absolutamente nenhuma preocupação com o valor. É um genocídio que se iniciou com os índios, depois passou para os negros e se arrasta até hoje”, enfatizou. “A escravidão negra no Brasil só acabou formalmente. Na verdade, no imaginário das instituições e na própria sociedade brasileira, a escravidão negra nunca acabou. Ou seja, enquanto nós tivermos essa parcela da população brasileira não sendo reconhecida enquanto pessoa, jovem, adolescente, estudante, nós teremos esse genocídio”, arrematou Victória.

A narrativa retrata o que se passa durante o julgamento no tribunal e Daniel Loyzola, Defensor Público, é um dos protagonistas do cenário. “O filme é duro e mostra uma dor muitas vezes dilacerante. A vitimização que a família passa na perícia, na polícia, na mídia, na Justiça. Além da revitimização que é tentar provar que a pessoa é inocente. É bem difícil”, citou. “A palavra que é mais usada para denominar uma operação é ‘incursão’. No dicionário está escrito que incursão é a refração súbita no território inimigo com uma forma militarizada. Isso reflete muito bem como o estado pensa e atua nesses espaços”, defende Loyzola.

Rodrigo Mondego, advogado e ativista dos Direitos Humanos, acompanha de perto a realidade das famílias que acabam de perder seus filhos, sobrinhos, irmãos e netos. “Do lado civil existe uma segunda morte que não existe no caso dos policiais, que é a morte da reputação daquelas pessoas. É triste você estar acompanhando uma família no IML e ter que ver o tio recebendo uma mensagem com a imagem daquela pessoa que acabou de morrer, associada a um crime, mesmo nunca tendo cometido nada durante a vida”, declarou.

O descaso da mídia também foi ressaltado por Ana Paula Oliveira, participante do grupo “Mães de Manguinhos” e mãe do jovem Johnatha de Oliveira, morto por policiais da UPP de Manguinhos. Ele foi assassinado em 2014 com um tiro nas costas, aos 19 anos, desarmado e em plena luz do dia. “A policia mata, mas não basta apenas matar sem criminalizar as vítimas. Enquanto me arrumava para ir ao enterro do meu filho, um delegado falou na televisão que por conta do amigo dele ter sido assassinado em Acari, a polícia precisava entrar nas favelas e derramar sangue. Imagine se todas nós, mães, que tivemos os nossos filhos assassinados pela polícia, também pedíssemos o sangue dos policiais que tiraram a vida dos nossos filhos”, indaga.

Mediadora do debate, a jornalista Flávia Oliveira apresentou dados recém-coletados das mortes em comunidades. Ela apontou que houve um crescimento de 34% das mortes de fevereiro a maio deste ano, em comparação ao mesmo período de 2017. Já foram 35 ocorrências de homicídios múltiplos (mais de três mortes durante operação policial) em 2018. “O ultimo foi na Maré, mas já tivemos casos na Rocinha, no Humaitá, no Complexo do Lins e outros”, disse Flávia, que refletiu sobre o recente caso de um jovem assassinado por descaso policial. “Estamos muito emocionados pelo dia tragicamente oportuno para discutirmos autos de resistência, onde mais um adolescente estudante carioca foi assassinado. Peço que elevem pensamentos ao Marcos Vinicius, um menino que hoje foi sepultado. Mais um jovem negro que o Rio de Janeiro perde para a violência e para a brutalidade das forças de segurança”, clamou Flávia.

O Cine Clube Direito em Movimento é uma parceria entre a CAARJ, o Instituto dos Advogados do Brasil (IAB), a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, a Fundação Escola Superior da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e o Cine Odeon. O filme “Auto de Resistência” estreia nos cinemas em 28/06, em várias cidades do país. Saiba mais em www.autoderesistencia.com.br.

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